terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pornografia: um alívio, ou um fardo?

Ah, pornografia! Quem nunca se rendeu a sua tentação para, ao menos uma vez, aliviar a tensão ou matar aquela curiosidade que não nos deixa em paz? Após o grande boom da Internet, no final da década passada, qualquer um pode ter acesso a material explícito através de uma simples busca. E é justamente essa facilidade de acesso à pornografia que tem aquecido ainda mais o debate sobre o assunto entre diversas autoridades, estudiosos e escandalizados em geral.

Ao passo que a posse de material pornográfico aumenta, aumenta também a paranóia de certos grupos. Enquanto alguns "corajosos" dão suas caras a tapa, defendendo a normalidade e os benefícios do uso da pornografia, existe outra frente que a combate ferrozmente. Afinal, quão prejudicial ou benéfico pode ser o consumo de material adulto?

O efeito hipnótico

Alguns estudiosos atribuem o suposto vício e mudanças de comportamento causadas pela pornografia ao fator hipnótico que o seu uso tem. Normalmente, quando alguém assiste a algum vídeo pornográfico, o faz em silêncio, na privacidade de seu quarto, normalmente em um ambiente em que ele possa ficar concentrado e não ser facilmente distraído. Somando o ambiente criado ao estímulo intenso, o conteúdo do vídeo é mais facilmente absorvido. Segundo a Dra. Freda Morris, antiga professora de psicologia médica na Universidade da Califórnia, para que um indivíduo seja hipnotizado, ele deve se sentar em silêncio e imóvel para ser sugestionado até o ponto em que ele siga o que lhe é transmitido.

Como nosso julgamento sobre as coisas não é o dos mais seguros quando nos aproximamos do orgasmo, se nossas fantasias sexuais se diferirem muito daquilo que é real, aos poucos o que se vê passa a ser condicionalmente aceito como padrão de comportamento, ao longo dos anos, criando-se novas identidade e comportamento sexuais.

Genitalismo

Além do fator hipnótico da pornografia, aqueles que à combatem também nos alertam sobre seu caráter dessensibilizador. Em outras palavras, o espectador fica menos sensível ao que vê ao longo dos anos. Alguém que começa utilizando material leve (chamado muitas vezes de softcore) pode facilmente recorrer a material mais explícito e até mesmo violento e bizarro, uma vez que não se sinta mais satisfeito com a mesmice daquilo que vê.

Essa falta de sensibilidade, junto à nova percepção daquilo que deveria ser o comportamento sexual normal, leva o indivíduo a separar o sexo do ser humano. Seus parceiros eventualmente podem se tornar uma mera fonte de prazer genital, sendo ignoradas todas as suas outras qualidades. Resta apenas o genital, ficando de fora tudo mais que a outra pessoa é.

Quem sabe nem tudo seja tão grave assim?

Se por um lado várias pesquisas realizadas nos EUA apontam grandes prejuízos ao comportamento humano causados pela pornografia, na Dinamarca é observado um cenário completamente diferente. Uma pesquisa realizada por lá aponta que homens e mulheres consideram positivos os efeitos da pornografia em suas vidas, trazendo-lhes melhoras em sua qualidade de vida sexual.

O principal autor da pesquisa, Martin Hald, diz que os consumidores regulares de material erótico normalmente acreditam ser imunes aos efeitos negativos daquilo que veem a fim de racionalizar o consumo contínuo.

Observa-se também que, quanto mais os grupos conservadores tentam inibir suas vendas maior é a demanda por pornografia nos EUA. Por outro lado, na Dinamarca ocorreu justamente o contrário em 1969, quando as suas "Leis de Obscenidade" foram anuladas e a demanda pela material erótico teve um grande declínio. Este fato parece validar a velha noção de que quanto mais proibida, mais desejada é a fruta.

Nos anos 70, a Comissão Presidencial sobre Obscenidade e Pornografia, deste mesmo país, relata que a pornografia pode fornecer alívio não prejudicial às necessidades sexuais quando alguns indivíduos buscariam alternativas anti-sociais. A tese é comprosada pelo declínio no número de crimes sexuais após a legalização da pornografia.

Edward Donnerstein, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara também relata que "um bom número de pesquisas sustenta a idéia de que exposição à pornografia pode reduzir respostas agressivas naqueles que são predispostos a agredir".

Tá bom, mas afinal, faz mal ou não?

Com tantas teses e estudos, muitos deles parciais, qual é a verdade afinal? A pornografia faz ou não faz mal? Até que ponto é possível consumir este tipo de material de forma saudável? Existiria uma homeopática de erotismo que faria bem a todos?

Como tudo na vida, a moderação no uso do erotismo parece ser a melhor resposta. Se a paranóia conservadora por um lado parece trazer exagero a tudo e até estimular a busca por pornografia por sujeitos reprimidos, o excesso no uso desse tipo de material pode potencialmente distorcer a noção de vivência sexual saudável para nossa mente e corpo. Afinal, sexo lida com o que há de mais íntimo em nós e sua banalização não pode de forma alguma ser saudável.

No centro disto tudo há a maior preocupação de todas: o consumo de pornografia por adolescentes. A curiosidade da idade e a facilidade da Internet pode ser uma combinação perigosa. Por isso gostaria de fazer um apelo aos leitores mais jovens: tenham cuidado com o terreno onde pisam!

A curiosidade pode ser saudável, mas também pode nos levar para caminhos tortuosos. Evite propostas de exposição frente às webcams, principalmente propostas vindas de homens maduros. Também não se deixe enganar por tudo o que você vê: sexo é muito mais que erotismo. Deve envolve amor, conhecimento do outro, de si mesmo e prazer saudável e seguro.

3 comentários:

Lukkas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
LP disse...

É aquela velha história: A diferença entre o veneno e o remédio está na dose. Mas vem de cada um. Existem pessoas que realmente descuidam da privacidade, e também se deixam levar por influencia desse tipo de conteúdo.

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Lukkas, 23 anos, analista de TI e eterno delirante. É o autor do projeto gyFriends, para apoio a adolescentes e jovens LGBT em conflito com suas identidades e vida pessoal.
 
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